A arte da política

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Edição n°34

Por Dr. João Luiz Barboza

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Na última eleição a Capital paulista elegeu para Prefeito João Agripino da Costa Doria Junior, mais conhecido como João Dória Junior, um candidato cuja perspectiva eleitoral do início da campanha não era nada promissora. Estranha e coincidentemente, as pesquisas sobre intenção de voto foram apontando a queda constante do candidato que aparecia em primeiro lugar com larga margem sobre os demais. Aos poucos foi crescendo a intenção de voto no candidato vencedor que, de forma surpreendente, conseguiu se eleger já no primeiro turno.

Estranhamente, o Prefeito eleito se declara não político. A questão elementar é que não se governa uma cidade do porte de São Paulo sem habilidade política. Portanto, fará parte da tarefa do Prefeito João Dória Junior o exercício constante da política. Terá de negociar com políticos experientes para que consiga levar adiante suas propostas de governo, que por mais interessantes que possam ser, não poderão ser implementadas sem a aprovação da maioria dos cinquenta e cinco vereadores que ocupam o Palácio Anchieta.

E por que o Prefeito terá de negociar com os vereadores? Tentemos esclarecer. Ocorre que o Prefeito é eleito para administrar, enquanto os vereadores são eleitos para legislar. No art. 37, da Constituição Federal, consta uma regra básica dispondo que “a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”. Desse dispositivo decorre que qualquer ato do Prefeito terá de ser amparado por lei, e as leis são discutidas e aprovadas pelos vereadores. Qualquer projeto do Prefeito que não esteja previsto em lei terá de ser submetido à Câmara Municipal.

Assim, a primeira preocupação do Prefeito eleito deve ser construir uma base aliada que lhe dê maioria na vereança para tornar viáveis e exequíveis suas propostas. E as dificuldades das suas propostas serão tão maiores quanto mais polêmicas elas forem, pois os vereadores estarão atentos aos interesses dos seus eleitores. Claro que se forem para o bem da cidade o Prefeito poderá até contar com o apoio dos vereadores, para a promoção das mesmas junto à sociedade. E é aí que terá de exercer sua capacidade de convencimento, para o que terá de demonstrar habilidade política.

Ao se declarar não político é muito provável que o Prefeito eleito tenha se utilizado da estratégia de explorar a seu favor o desalento dos eleitores, o que o torna um hábil político. Procurou tirar proveito do fato de sua candidatura ter-se inserido em um contexto político em que a sociedade está enfastiada com a classe política. Dentro dessa visão, ao apresentar-se como não político o candidato se oferece como alternativa para aqueles que desejam se afastar dos políticos que, salvo exceções de praxe, tanta decepção têm causado por não honrarem os votos que recebem.

Esta é uma hipótese bastante plausível se se levar em conta que o Sr. João Dória Junior é um empresário bem sucedido, além de comunicador experiente. Tendo sido hábil o suficiente para se eleger para aquilo que diz não ser – um político –, resta esperar que tenha também sensibilidade e habilidade suficientes para fazer frente aos anseios da população. Administrar a cidade de São Paulo, cuja população a coloca entre as sete maiores do mundo, exige grande capacidade gerencial que deve, entretanto, estar associada à indispensável habilidade política. Para o bem da cidade, é desejável que o Prefeito eleito obtenha em sua gestão o mesmo sucesso obtido na campanha.