MÃO DUPLA (Poesia)

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Edição n° 34

Por Adailton Ferreira

mao-dupla

A torto e a direito,

Eis a vida que entendia

estar levando a pulso firme:

Descambava para um lado, descambava para outro,

Tamanha era a força da mão firme que premia.

 

A torto e a direito,

Quantas canções esquecidas,

Quanta roupa dobrada, surrada, doada,

Uma vitrine que era a vida

Um homem que morreu de frente, ao espelho,

Morreu na mão dupla (hoje não existem mais lojas no lugar).

 

A torto e a direito,

A infância para a direita, a adolescência para a esquerda;

A juventude _andarilha da noite; a velhice _escrava do dia,

E um xarope terrível que tomo, com a mão já não tão firme.

 

A torto e a direito,

Feito um cão-guia que leva obedientemente

Junto, segue a cegueira de uma centena de dias,

A mão já não tão firme, que procura anotar um endereço:

Será que a estrada é essa mesma?

Será que a canção tem mesmo esse tom?