Edição n° 34

A torto e a direito,
Eis a vida que entendia
estar levando a pulso firme:
Descambava para um lado, descambava para outro,
Tamanha era a força da mão firme que premia.
A torto e a direito,
Quantas canções esquecidas,
Quanta roupa dobrada, surrada, doada,
Uma vitrine que era a vida
Um homem que morreu de frente, ao espelho,
Morreu na mão dupla (hoje não existem mais lojas no lugar).
A torto e a direito,
A infância para a direita, a adolescência para a esquerda;
A juventude _andarilha da noite; a velhice _escrava do dia,
E um xarope terrível que tomo, com a mão já não tão firme.
A torto e a direito,
Feito um cão-guia que leva obedientemente
Junto, segue a cegueira de uma centena de dias,
A mão já não tão firme, que procura anotar um endereço:
Será que a estrada é essa mesma?
Será que a canção tem mesmo esse tom?