PALAVRA DE ORDEM DO DIA

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Edição n° 25

Por Adailton Ferreira

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__Alô! Alô!…__ a mulher levou o celular ao ouvido e fez uma careta que dava pra adivinhar muito bem o assunto que era. A palavra soou nitidamente no seu semblante: “cobrança”.

Continuou:

__Não, moça, não tenho como confirmar essa data de pagamento. Entendo, entendo, mas por enquanto não posso assumir esse acordo__ e tome o dedo no teclado do telefone; encerrou a chamada. A viagem prosseguia.

Mais à frente o telefone de outra pessoa tocou. Mais uma vez a palavra expressou-se no olhar preocupado de um senhor: “cobrança”. A resposta desse homem veio em tom bem alto e claro:

__Garoto, é lógico que paguei sim essa segunda parcela! Não sei, não sei; não estou com o boleto quitado aqui em mãos. Ora, façam o que bem entenderem!… Já falei, está pago!…

Alguns minutos depois, outra chamada. Nos olhos de um rapaz, dessa vez, a palavra de ordem dos nossos dias acendeu-se como uma imensa bola de fogo. O caso, em comparação com os demais, parecia ser coisa muito mais séria. O semblante do jovem, que já estava inteiramente fechado, foi ficando cada vez mais alterado. Os mais abelhudos foram tomados de um sentimento de precaução. Todos, sem exceção, desviavam os olhos do rapaz, quando ele cismava para os lados. Seus olhos estavam de dar medo e preocupação. Depois de ouvir algumas palavras no aparelho, ele desembestou:

__Olha, menina, mais respeito, ouviu?! Guarde essa lição de moral para você e para a laia toda que está aí com você! Tô devendo, mas não sou ladrão! E tem mais, se você me ligar mais uma vez, vou lhe dizer algumas coisinhas que não vão em nada lhe agradar. Não, não, não desliga!… Olha, menina, não desliga, não desliga! Agora você vai ter que me ouvir também!… Ei, menina!… Ei menina!… __não teve jeito, desligou.

A viagem prosseguia.